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O Santuário
do Bom Jesus da Lapa começou a ser lugar de romaria há quase
trezentos anos. Em 1691, Francisco de Mendonça Mar descobriu a
gruta, que até hoje serve como igreja do Bom Jesus da Lapa.
Francisco de Mendonça Mar, nascido em Portugal, em 1657, era filho
de um ourives em Lisboa. Exerceu a profissão do pai, sendo ourives
e pintor. Com Vinte e poucos anos de idade – mais ou menos em 1679,
chegou a Bahia (Salvador), onde começou a trabalhar como ourives
e pintos.
No ano de 1688, foi encarregado de pintar o palácio do Governador
Geral do Brasil na Bahia. Ao invés de receber o pagamento, foi
levado à cadeia, com dois de seus escravos, e cruelmente açoitado.
Tocado pela divina graça, reconhecendo a vaidade do mundo, aprendeu
Francisco que única coisa, que vale, é a salvação
eterna. Resolveu então deixar tudo e buscar o deserto mais remoto
para sacrificar sua vida por Deus. Esse era o motivo pelo qual ele deixou
o mundo – para a Glória do Senhor Bom Jesus e para o bem
dos outros. Não procurava nem a fama, nem as riquezas mundanas,
mas imitar o Bom Jesus nas palavras e obras.
Francisco Mendonça Mar tinha por esse tempo uns trinta anos. Distribuindo
os seus bens fez se pobre e acompanhado duma imagem de Cristo Crucificado,
do tamanho de três palmos, enveredou pelo sertão a dentro.
Atravessou o sertão da Bahia, vestido de um grosso burel. Caminhou
cerca de duzentas léguas entre tribos ferozes de índios
antropófagos, passou fome, sofreu o calor do sol; esteve exposto
aos perigos das onças, cobras, mosquitos e outros entes selvagens
que abundavam nas florestas virgens do sertão. Mas nunca esmoreceu,
seguindo sempre adiante com a idéia fixa de encontrar a Gruta e
o Calvário da inspiração.
Uma tarde, depois de vários meses de incessante caminhada, avistou
um morro, subiu uma áspera ladeira, e por uma abertura na pedra
penetrou numa gruta. Lá encontrou uma prodigiosa abertura, tão
proporcionada a Cruz que levava, que ali o colocou. Era exatamente isso,
que procurava! Um perfeito Monte Calvário. Era um sinal de Deus,
que aqui deveria ficar!
Aqui, à
margem do Rio São Francisco, começou uma vida de eremita,
na solidão e oração, venerando o Senhor Bom Jesus,
que morreu na cruz pela nossa Salvação e louvando a Maria,
Sua Mãe, a Virgem da Soledade.
Esta gruta, anteriormente habitação de onças tornou-se
a morada dele e logo foi convertida por Francisco em lugar de oração
– em templo católico! Foi no ano de 1961.
Dedicado à oração e à penitência, “O
MONGE” Francisco habitou na gruta treze anos aproximadamente, desenvolvendo
seu apostolado entre os índios da redondeza.
Percebeu logo que o amor a Deus não pode ser isolado da vida, mas
inserido nela. E assim Francisco trazia para junto de si os pobres, os
doentes, os infelizes e aleijados, a fim de servi-los com amor.
No mesmo ano de 1691 em que Francisco descobriu a Gruta do Bom Jesus,
foram descobertas as primeiras minas de ouro no território, que
se chamaria posteriormente Minas Gerais.
E o rio São Francisco era na época o melhor e único
caminho de penetrar no interior do Brasil. Diz Euclides da Cunha no seu
livro “Os Sertões”: “Vedado nos caminhos diretos
e normais à costa; mais curtos porém interrompidos pelos
paredões das serras ou trancados pelas matas, o acesso fazia-se
pelo rio São Francisco. Abrindo aos exploradores duas entradas
únicas, à nascente e à foz, levando os homens do
sul ao encontro dos homens do norte, o grande rio erigia-se desde o principio
com a feição de um unificador étnico; longo traço
de união entre as duas sociedades que não se conheciam...”
Daí começou o movimento. Levas intermináveis de aventureiros,
caçadores de ouro, mascates e vaqueiros, subiam o Rio São
Francisco, fazendo pouso nesta Lapa, para rezar, fazer promessas, dar
graças a Deus perante as imagens do Bom Jesus e de Nossa Senhora
da Soledade, colocadas pelo Monge num altar da capela-mor da Gruta.
Pelo seu exemplo e pelas suas palavras e ações, Francisco
“Monge da Gruta” conseguiu fazer brotar nos corações
o amor ao Bom Jesus e à Sua Santa Mãe.
Como exemplo de fé viva e amor, construiu, às portas da
Gruta, o primeiro hospital de doentes e o asilo dos pobres, sendo ele
próprio enfermeiro e protetor daquela gente sofredora.
Francisco mostrava a imagem do Bom Jesus pregado na cruz para todos aqueles
que curava, dizendo-lhes que foi o Bom Jesus quem fez aquela cura e ainda
deseja curar dentro de nós todos os males que prejudicam nossa
pessoa e a do nosso próximo.
Fonte:
Livro Santúário do Bom Jesus da Lapa por Pe. Lucas Kocik.
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