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A venerada
Imagem de Cristo Crucificado, sob o título do Bom Jesus, ficou
exposta dentro da gruta. O culto do Senhor Bom Jesus, que morreu na cruz
pela nossa salvação, começou a conquistar os corações
até dos intrépidos bandeirantes, caçadores do ouro
e conquistadores de terras. Assim foi descoberto o Santuário do
Senhor Bom Jesus, chamado “da Lapa” pois foi na Gruta onde
ficou a imagem d’Ele. Já citado antes, Euclides da Cunha,
revela. “...os possuidores do solo, de que são os modelos
clássicos os herdeiros de Antônio Guedes de Brito, eram ciosos
dos dilatados latifúndios, sem raias, avassalando a terra.
A custo toleravam a intervenção da própria metrópole.
A ereção de capelas, ou paróquias, em suas terras
fazia-se sempre através de controvérsias com os padres;
e embora estes afinal ganhassem a partida caiam de algum modo sob o domínio
dos grandes. Estes dificultavam a entrada de novos povoadores ou concorrentes
e tornavam as fazendas de criação dispersas em torno das
freguesias recém-formadas poderosos centros de atração
à raça mestiça que delas promonava: Assim, esta se
desenvolveu fora do influxo de outros elementos... adquirindo uma fisionomia
original. Como que se criaram num país diverso...”
Francisco de Mendonça Mar; por seu modo de viver que escolheu e
com o apostolado que desenvolveu, não caiu sob o domínio,
nem uma entidade autônoma, independente dos poderosos deste mundo;
recebendo direto do Rei de Portugal a doação de terras para
o Santuário. Foi por isso que o Santuário do Bom Jesus da
Lapa nunca na sua história pertenceu a algum proprietário
de latifúndios. Era isento, embora as terras dele ao longo da história,
aos pouco, fossem roubadas e, até o próprio Morro, mutilado
e freqüentas vezes invadido á força pelos caciques
locais, que após 300 anos estão perguntando: “E a
escritura? O Santuário será que tem a escritura da prefeitura
municipal?”.
Francisco vivia humildemente de pesca e de pequena horta. Tornou-se conhecido
pela sua bondade. Todos o admiravam. Ele se ocultou, mas o Bom Jesus o
revelou, pois os viandantes, que regressavam à Bahia, eram portadores
da notícia de que no coração do sertão, numa
linda gruta de um morro na margem do Rio São Francisco, morava
um homem extraordinário, que levava vida de santo. “O MONGE
DA GRUTA”, realizava um apostolado fecundo pregando e Evangelho
do Bom Jesus.
Estas notícias chegaram aos ouvidos do apostólico Arcebispo
da Bahia, Dom Sebastião Monteiro da Vide. Este enviou em 1702 um
Visitador Geral, que constatou serem verdadeiras todas as notícias
sobre o culto do Senhor Bom Jesus e sobre a vida exemplar do Monge. Levou
portanto informação favorável, quer do bom espírito
que animava o Monge, quer do lugar em que a ?Santa Imagem de Cristo Crucificado
era venerada por grande número de pessoas. Ali os sacerdotes; na
sua passagem, já celebravam a Santa Missa, pois havia todos os
paramentos necessários para o culto.
O Visitador Geral, Vendo que o culto do Bom Jesus florescia e já
existia romaria embora pequena, erigiu aquele templo que a natureza havia
fabricado, em capela, ou igreja, com título de BOM JESUS e de NOSSA
SENHORA DA SOLEDADE.
Fonte:
Livro Santúário do Bom Jesus da Lapa por Pe. Lucas Kocik.
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