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Para apresentar,
em traços gerais, a imagem da Lapa nos seus primórdios achamos
por bem colocar aqui a pesquisa do jornalista José Ribeiro (da
Associação Permanente de Imprensa), publicada em 5 de janeiro
de 1958 (“Folha da Barra” nº 23 pág. 3).
“ Segundo os mais consagrados estudiosos do nosso passado, o atual
Município de Bom Jesus da lapa, tomou este nome, que é de
origem portuguesa, devido á “Gruta” que ali foi descoberta
no final do século dezessete, pelo mestre pintor português,
Francisco Mendonça Mar, posteriormente, conhecido por Padre Francisco
da Soledade, que viveu no Brasil por muitos anos.
A Lapa é um dos municípios mais conhecidos do Brasil, porque
ali está o Santuário do Bom Jesus, relíquia sagrada
e marco de fé do Brasil-Colônia. A sua beleza natural é
extraordinária, muitos tem se preocupado com este prodígio
da natureza.
Carlos Chiaccio, jornalista e crítico que militou por muitos anos
no jornalismo baiano diz: Deve-se dizer que a Gruta do Bom Jesus representa
para o São Francisco o maior galardão da sua religiosidade.
É o núcleo espiritual da zona.
O Santuário, apesar dos seus dois séculos de existência,
pouco progrediu porque infelizmente, sempre viveu nas garras de meia dúzia
de “sabidos” que o exploravam ao seu bel prazer.
Dos antigos administradores da Irmandade poucos se salvam. Há notícias
até de processos contra estes senhores. Os Vigários não
eram tolerados, porque a camarilha não permitia a intromissão
dos mesmos... nos seus negócios.
O cargo de sacristão, segundo os relatos de passado, era o mais
ambicionado, daí o diminuto progresso das coisas do Santuário.
O patrimônio, em certa época, foi quase todo vendido aos
Irmãos...
Quase todas as nossas cidades, surgiram e cresceram á sombra de
uma capela, que era o primeiro marco da civilização e da
cristandade.
A Lapa, como as demais, não fugiu a esta regra, porque, com a descoberta
da Gruta no ano de 1691, as suas terras pertenciam à Coroa, e o
primeiro ser humano a trabalhar por ali, foi justamente o Monge, que usando
de uma prerrogativa legal, requereu e obteve de El-Rei, a faixa de terras;
segundo consta no Arquivo público da Bahia, (no livro nº 12
– Ordem Régia de 1717...).
Dr. Theodoro Sampaio, passando pela Lapa em 1879, anotou esta observação:
?”...As humildes funções de sacristão (do Santuário
na Lapa) eram objeto de luta e de cobiça dos magnatas da terra.
Os coronéis daqui... vivem a fazer política para guardarem
para si essas funções, razão por que dificilmente
aqui para um capelão, não se tolerando a presença
do vigário...”
Essa posição de não tolerar a presença do
Vigário em Bom Jesus da Lapa se conservou neste lugar quase até
nosso dias.
O fato inegável é, de que, com a vinda dos Padres Redentoristas
e, com a criação da Diocese de Bom Jesus da Lapa, a cidade
começou a se desenvolver rapidamente.
Fonte:
Livro Santúário do Bom Jesus da Lapa por Pe. Lucas Kocik. |